Foto: Diego Vara/Reuters

A seleção Brasileira venceu a seleção do Equador por 2 a 0 com gols de Richarlison e Neymar. Sem mudanças radicais no sistema tático, o 4-4-2, a seleção brasileira fez ajustes ao longo do jogo para vencer a quinta partida consecutiva nas eliminatórias. Sutis, mas fundamentais. Lucas Paquetá, por exemplo, atuou em quatro posições diferentes. Numa delas, que podemos chamar de segundo volante, conseguiu acelerar, pressionar e se tornar fator de desequilíbrio.

O mundo do futebol sabe que, desde novembro de 2019, o Brasil ataca no 2-3-5: os dois zagueiros; à frente deles, o lateral-direito alinhado aos dois volantes; mais adiantados entre as linhas de marcação do adversário, empurrando-as para trás, o lateral-esquerdo, o meia mais criativo e os três atacantes. No Beira-Rio, essa formatação não funcionou por algumas razões.

Destaquemos duas:

Alex Sandro não é Renan Lodi. Não tem a naturalidade do lateral-esquerdo do Atlético de Madrid para disparar e atuar em profundidade, aproveitar o corredor e permitir que a Seleção se avolume na área adversária com sua chegada ao fundo. Alex Sandro é bom, tanto melhor com outras atribuições, mais conectadas aos companheiros da linha defensiva.

Espertamente, Gustavo Alfaro, técnico do Equador, congestionou o espaço que se abriu entre os jogadores que fazem a saída de bola e os que avançam, dividindo a Seleção de Tite em dois blocos distantes. Enner Valencia e Mena fecharam os passes de Militão e Marquinhos, a linha de meio-campo se adiantou e o Brasil só conseguiu jogar quando roubou a bola no campo de ataque – um ponto positivo durante toda a partida.

Aos poucos, Tite e seus auxiliares corrigiram defeitos, adaptaram situações, abriram mão do 2-3-5, e o Brasil, que jamais perdeu o controle da situação, se tornou mais incisivo.

Sem a bola, inicialmente Neymar e Gabriel Barbosa tinham mais liberdade à frente. Atrás deles, a linha de quatro tinha Fred pela esquerda e Richarlison pela direita, com Casemiro e Paquetá centralizados. Tão logo o time recuperava a bola, Paquetá desgarrava e se juntava ao bloco mais ofensivo, enquanto Fred vinha para dentro, próximo a Casemiro.

Ainda durante a etapa inicial, o Brasil alterou essa configuração. Richarlison veio para a esquerda, Paquetá passou a ser um meia que flutuava da direita para dentro, com Casemiro e Fred marcando centralizados. Isso tirou Alex Sandro da profundidade e o trouxe para dar mais suporte à saída de bola.

A equipe melhorou, mas continuou dependente da pressão ofensiva. Gabriel Barbosa ofereceu aos companheiros as inúmeras possibilidades de passe habituais no Flamengo, mas teve momentos de afobação, naturais para quem não era titular da Seleção há cinco anos.

O artilheiro insistiu em passes de primeira, mesmo quando não havia ninguém próximo. Livrou-se da bola. Dentro da área, foi perigoso como sempre, tendo, inclusive, um gol anulado.

A cartada decisiva para transformar o controle em chances criadas foi a entrada de Gabriel Jesus no lugar de Fred, de atuação irregular. O Brasil passou a ter dois atacantes pelos corredores laterais – Jesus na direita e Richarlison pela esquerda – e Paquetá por dentro, mas não espetado como no início, e sim mais recuado, vendo o jogo de frente.

Na pressão, Paquetá roubou a bola, que chegou a Neymar, depois a Richarlison e à rede de Domínguez: 1 a 0. O meia do Lyon também acelerou o jogo em retomadas do seu campo.

O Brasil só não aumentou logo porque a bola, extremamente obediente a Gabriel Barbosa no Flamengo, resolveu ser caprichosa em duas finalizações do centroavante: uma defendida pelo goleiro e outra que fugiu da rede, por pouquíssimo.

Neymar, de pênalti – sofrido por Gabriel Jesus, em jornada reduzida, mas muito boa –, confirmou mais três pontos de uma Seleção que vence e vence, mas não alcança a paz absoluta, graças às peripécias dos presidentes da CBF: os antigos, os antigos que ainda são atuais, o atual e os que desejam ser os próximos.

Fonte: GE

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